Na 7ª Reunião Ordinária da 1ª Sessão Legislativa da 10ª Legislatura, realizada no dia 24 de março de 2025, o vereador Daniel Weber fez um discurso contundente, abordando temas polêmicos e defendendo uma atuação responsável no Legislativo Municipal. Em sua fala, ele criticou ações que considera demagógicas, destacou os desafios enfrentados pela atual gestão e reforçou a necessidade de respeito dentro da Câmara.
A defesa de um Legislativo responsável
O vereador iniciou sua fala reafirmando seu compromisso com uma atuação ética e responsável no Legislativo. Ele destacou que, ao pedir votos para se eleger, assumiu o compromisso de legislar com seriedade, evitando discursos populistas e ações meramente políticas.
“Seria muito fácil vir aqui com demagogia e discurso fácil, porque qualquer um pode fazer isso. Mas nós, como legisladores, temos a responsabilidade de tomar decisões com base na legalidade e no respeito ao orçamento público“, afirmou Weber.
Ele criticou uma emenda apresentada por alguns vereadores, que, segundo ele, tinha apenas o objetivo de “jogar para a plateia”, sem embasamento jurídico adequado. O vereador alertou que a aprovação dessa emenda poderia levar a um veto do Executivo e comprometer a possibilidade de parcelamento de dívidas em até 60 meses, algo que beneficiaria a população.
Críticas à contribuição de melhoria e ao governo anterior
Outro ponto levantado pelo vereador foi a polêmica da contribuição de melhoria, um tributo cobrado de moradores para custear obras públicas. Ele ressaltou que muitas pessoas estão endividadas devido a essa cobrança e fez duras críticas à administração passada, afirmando que foi o governo do PL que lançou os débitos e incluiu CNPJs no SPC.
“Foi o governo do PL que colocou os CNPJs de vocês no SPC, independente de quem estava no comando. Essa foi uma decisão tomada por uma base aliada que aprovou a contribuição de melhoria sem pensar no impacto para os cidadãos”, destacou Weber.
De acordo com o vereador, quando a cobrança foi aplicada, a comunidade tentou recorrer judicialmente, mas perdeu o processo, o que impossibilita agora qualquer tipo de isenção sem que isso configure improbidade administrativa.
Enquanto outras contribuições de melhoria aprovadas posteriormente tiveram 50% de amortização, a da Celso Ramos não pôde ser reduzida por conta da decisão judicial.
“O que fizeram com esse povo foi uma verdadeira roubalheira. Hoje, estamos pagando o preço pela irresponsabilidade de gestões passadas, que não só permitiram essa cobrança abusiva, como também trataram os moradores com desdém”, afirmou Weber.
Ele alertou ainda para a possibilidade de novos problemas relacionados à obra da Avenida Beira-Mar III, mencionando que, quando a contribuição de melhoria for aplicada, os moradores poderão enfrentar dificuldades financeiras semelhantes às que ocorreram em outros bairros.
Defesa do decoro parlamentar e críticas a outros vereadores
Durante o discurso, Weber também exigiu respeito dentro do plenário. Ele criticou o vereador Diego (PL), acusando-o de violar o código de ética ao atacar colegas de forma ofensiva.
“Todos nós fomos eleitos de forma democrática e temos que respeitar uns aos outros. O vereador Diego cometeu três vezes a infração de desrespeitar o decoro parlamentar hoje. Se ele tem coragem de falar certas coisas, então ele que assuma as consequências”, afirmou Weber, pedindo providências à Comissão de Ética.
Além disso, ele direcionou críticas à vereadora Jéssica, alertando-a sobre sua postura no plenário. “Aonde termina o seu direito, começa o do seu colega. Eu já fui oposição e sempre respeitei votações contrárias aos meus interesses. O mínimo que se espera aqui dentro é decência e respeito“, declarou.
Obra da Avenida Beira-Mar III: um projeto polêmico
Outro tema abordado foi a obra da Avenida Beira-Mar III, que Weber classificou como problemática e desnecessária em alguns aspectos. Ele mencionou o canteiro construído próximo ao Hotel Pérola, apontando que seu tamanho excessivo dificulta o trânsito de veículos maiores.
“Aquele canteiro é inadmissível. Caminhonetes e veículos grandes não conseguem manobrar sem invadir a estrutura. Se colocarmos tartarugas em volta, vai piorar ainda mais a situação”, argumentou Weber, sugerindo que o Executivo reduza o tamanho do canteiro e foque no embelezamento da via.
Além disso, ele criticou a retirada de áreas de estacionamento ao longo da avenida, alegando que isso prejudica moradores que vêm de longe e dependem do carro para acessar a praia. Segundo Weber, a obra foi pensada para beneficiar o mercado imobiliário e não a população em geral.
“Com R$ 12 milhões, poderíamos ter feito muitas melhorias em todo o município. Essa obra só favoreceu quem tem imóveis de alto padrão na região”, enfatizou.
Gestão atual e orçamento municipal
Por fim, Weber defendeu a atual gestão, e afirmou que ela está governando para todos, especialmente para os menos favorecidos. Ele também explicou que a Câmara está trabalhando dentro do orçamento aprovado pela administração anterior e que, para fazer mudanças significativas, será necessário esperar a aprovação da próxima Lei Orçamentária.
“Estamos legislando hoje com o orçamento deixado pelo PL. Não podemos ser irresponsáveis e aprovar uma renúncia de receita maior do que o que a lei permite. Mas podemos melhorar isso para o próximo ano, dentro da legalidade”, concluiu.
Conclusão
O discurso do vereador Daniel Weber reforçou sua posição como um dos principais defensores de uma gestão pública responsável e transparente em Itapoá. Com críticas diretas à oposição, defesa de mudanças estruturais e cobrança por respeito dentro da Câmara, sua fala destacou os desafios que a cidade enfrenta e a necessidade de um Legislativo que atue com seriedade e compromisso com a população.