Santa Catarina vive um surto alarmante de chikungunya em 2025, com um aumento expressivo no número de casos. Em comparação com o mesmo período do ano passado, os registros saltaram de 44 para 294 casos prováveis, um crescimento de impressionantes 568,2%! Até o momento, dois óbitos já foram confirmados e um terceiro está sob investigação pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).
O epicentro da doença é a região Oeste do Estado, com destaque para Xanxerê, que concentra a maioria dos casos. A cidade já contabiliza 141 dos 191 diagnósticos confirmados em todo o território catarinense. A situação é ainda mais preocupante porque 178 dos 295 municípios do estado estão infestados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Doença silenciosa e dolorosa
Os sintomas da chikungunya são semelhantes aos da dengue, incluindo febre e dores musculares. No entanto, o que mais se destaca é a dor intensa nas articulações, que pode durar meses ou até anos. O nome “chikungunya” vem do maconde, uma língua africana, e significa “aquele que se dobra”, referindo-se à postura curvada dos pacientes devido às dores.
Maria Alves, moradora de Xanxerê, sentiu na pele os efeitos devastadores da doença. Após passar por quatro atendimentos médicos com diagnósticos errados, só descobriu que tinha chikungunya um mês depois dos primeiros sintomas.
“Cheguei a me arrastar. Passei 12 dias na cama, precisava de ajuda para ir ao banheiro. A dor era dilacerante”, relata Maria, que ainda precisa tomar analgésicos fortes para conseguir suportar o desconforto.
O bairro dos Esportes, onde Maria mora, já tem 19 casos registrados. Outras regiões da cidade também estão em alerta: o bairro Santo Dias lidera com 56 casos, seguido por Santa Cruz (51) e Centro (36). Os principais focos do mosquito estão em cisternas, baldes, vasos de plantas e pequenos recipientes com água parada.
Diagnóstico tardio e riscos crescentes
A chikungunya ainda é pouco conhecida na região e, por isso, tem sido confundida com outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue e zika. Como os exames só são realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), a demora na confirmação dos casos pode comprometer o tratamento adequado.
Para tentar conter a crise, a SES intensificou a capacitação dos profissionais de saúde para que saibam identificar e tratar a doença corretamente. A orientação é clara: ao apresentar sintomas como febre e dores intensas nas articulações, procure imediatamente um serviço de saúde!
A população também precisa fazer a sua parte. Evitar a água parada é essencial para impedir a proliferação do mosquito. O momento exige atenção e ação rápida para evitar que essa epidemia tome proporções ainda maiores!